Como aplicar o conceito de Flight Levels na prática?

Por Rodrigo Coutinho

Resumo:

Para quem acompanhou em Setembro de 2020, a PM3 Lives #20 com Karoline Morone, Product Manager Sênior na SumUp, já deve ter entendido bem o conceito Flight Levels, não é mesmo?

Mas como nós da Cursos PM3 adoramos facilitar a vida dos profissionais de Produto, e também ajudar aqueles que não conseguiram assistir a nossa Live, resolvemos fazer aqui um breve resumo de alguns pontos que foram expostos, para assim você entender melhor como colocar em prática esse conceito no seu dia-a-dia na sua empresa. 

 

Mas afinal, o que é o conceito de Flight Levels?

Algo que devemos deixar bem claro aqui é que esse conceito não é um Framework, ou uma ferramenta e tão pouco um método. 

Em palavras simples, Flight Levels é um modelo de pensamento que foi introduzido por Klaus Leopold, hoje CEO da Flight Level Academy, com o objetivo de observar e identificar oportunidades de melhorias organizacionais, a partir de diferentes níveis. 

Trazendo essas palavras para o ambiente de Produto, é tentar enxergar qual nível da organização alavanca maiores oportunidades e melhorias para o negócio. Além disso, é conseguir enxergar todo o processo de ponta a ponta. E quando falamos em FL, a ideia não é achar que esse pensamento arremete somente a uma organização de apenas um time, mas sim a da empresa como um todo.  

Logo, esse conceito pode ajudar a encontrar soluções como: a melhoria de um processo, a cadeia de valor como um todo, como enxergar a criação e desenvolvimento de um produto, ou então como fazer a gestão desse produto por completo. Isso faz com que o conceito de Flight Levels seja adaptável para qualquer empresa e em qualquer realidade. 

 

Como chegou nessa nomenclatura?

Vamos imaginar que estamos num voo de avião a 40 mil pés. Dessa altura acima das nuvens não conseguimos ver nada abaixo, esse é que podemos dizer que é o nível três. O nível dois, já seria o momento em o avião passa a voar mais baixo, onde já conseguimos ver pedaços de terra, árvores, ou seja, conseguimos ver mais detalhes, mas ainda não identificamos tudo o que vemos. O nível um é o voo baixo, onde conseguimos ver casas, carros, todos os detalhes e tudo o que está acontecendo. É levando em conta esses três níveis, que estruturamos os nossos pensamentos na organização de um produto.

 

O que acontece em cada nível?

Em resumo, podemos levar em conta cada nível da seguinte forma:

Nível 3

Aqui podemos dizer que temos uma ideia do que pode acontecer. Este é um nível muito relacionado à estratégia e a decisão por qual caminho seguir. É nesse momento que temos que enxergar quais são as possibilidades na criação de um produto e documentar essas possibilidades, para assim ver quais fazem mais sentido para o time avançar. 

  • Nível: 

Alto e poucos detalhes;

  • Participantes:

C-Level / Head;

  • Principal foco:

Enxergar demandas e possibilidades da empresa;

  • Exemplo: 

Qual estratégia vamos adotar? A estratégia A ou B? 

 

Nível 2

Aqui temos mais clareza do que está acontecendo e já temos o desenho dessa estratégia, quais os caminhos a serem seguidos e o que já pode ser executado. Aqui entra todas as pessoas no nível de coordenação que estão liderando um time e que tenham contato com o C-Level, Head do nível três. O principal objetivo desse nível é coordenar toda a comunicação entre as partes de todos os níveis da empresa, garantindo que todos estejam alinhados e que as informações sejam claras e que cheguem a todas as pontas. 

  • Nível: 

Médio e mais detalhes;

  • Participantes: 

Coordenadores;

  • Principal foco:

Coordenar a comunicação e execução entre as partes – times – da empresa;

  • Exemplo:

Quais são as dependências entre os times? Se for adotar a estratégia A, irei precisar do time A, B e C? 

 

Nível 1

Podemos chamar de nível tático, é onde botamos a mão na massa para valer! Aqui todos os envolvidos na execução do produto participam. Já se sabe para onde vai e qual objetivo atingir. 

  • Nível:

Baixo e muitos detalhes;

  • Participantes: 

Todo o time;

  • Principal foco: 

Execução;

  • Exemplo:

Temos a visão do todo e sabemos para onde voar!

A ideia desse conceito é que a empresa tenha uma organização de ponta a ponta. De acordo com Klaus Leopold, quem originou essa linha de pensamento, não adianta um time ser eficiente se o outro não corresponde da mesma forma. Todos precisam estar alinhados e em sinergia

Outro ponto bastante interessante é que não existe uma ideia de segregação bem definida entre os times. Dependendo da empresa e da sua necessidade, pessoas do nível um podem participar do nível três, assim como os do nível três podem participar do nível dois e assim por diante. Tudo vai depender da necessidade que a empresa tem naquele momento e assim tudo acaba sendo adaptado para que todos cheguem ao objetivo almejado e que os resultados sejam batidos! 

 

Como funciona na prática?

Antes de ser Product Manager Sênior na SumUp, Karol passou por outras empresas como a Pagar.me. A principal necessidade da Pagar.me naquele momento era ter uma comunicação bastante efetiva para que todos soubessem o que estava sendo executado e quais eram os planos que iam priorizar e colocar em ordem.

Os times tinham seu próprio boarding e sabiam o que estavam executando. No entanto, toda parte de organização sobre quais times tinham dependência com outros times e qual era a estratégia da organização naquele momento não estavam sendo documentados.  

O primeiro passo foi começar a organizar de baixo para cima. De acordo com Karol, nem todos tinham claro quais eram os objetivos da empresa. Sendo assim, uma das primeiras ações foi deixar tudo às claras e principalmente explicar que o que estava sendo feito ali não era uma execução e sim uma mudança de pensamento. 

Depois de feito isso as ações foram organizadas da seguinte forma:

Nível 1

Todos os times que tinham o “Flight Level um”, nível tático que deve ser bem organizado, tinham labels e todas as tarefas bem descritas. 

Nível 2

Os times que tinham o “Flight Level dois”, que eram os coordenadores, começaram a registrar tudo, principalmente quais times tinham iniciativas semelhantes e que estavam relacionadas ao mesmo tema.

Nível 3

Foram aproveitadas todas as informações colhidas no nível dois para relacionar com o que era projeto da Pagar.me e o que era projeto da Stone, por exemplo. 

Depois que pensamos e começamos a prestar a atenção em como organizamos as nossas ideias e como deixamos tudo isso documentado, o próximo passo é analisar se tudo isso está dando certo. 

 

Quais foram os aprendizados dentro da Pagar.me?

Cinco pontos foram levados em conta: a maturidade do time, a cultura da documentação, trabalho em conjunto da organização e repetição e adaptação e por fim não transformar FL em status report no PPT.

Maturidade do time

Quando falamos da organização com um todo, estamos falando da dependência da maturidade dos times como um todo. Entende-se por maturidade não em ser mais velho ou mais novo e sim qual conhecimento os times tinham de determinado assunto, qual conhecimento as pessoas tinham de determinadas regras ou de quais produtos tinham que fazer. Esse detalhe influenciou muito para que a Pagar.me conseguisse executar o conceito de Flight Levels dentro da empresa. 

Documentação

Todos os times passaram a construir, validar e documentar todas as suas ações. Perguntas, dúvidas, insights, tudo passou a ser registrado com a finalidade de terem todas as respostas que forem precisar. Além disso, adotando essa prática todos passaram a ter acesso às informações independentes dos times em que trabalhavam. Com isso, foi garantido que todos de todos os níveis estavam caminhando pelo mesmo caminho em prol dos objetivos da empresa e alcançar os resultados. 

Trabalho em conjunto da organização

Todos passaram a trabalhar na mesma sintonia, pois foi entendido que se um time performa mais que o outro a organização como um todo não flui como deveria. 

Repetição e Adaptação

Algo que deve ser deixado claro em relação a esse conceito, quando se implementa algo novo dentro de uma empresa, normalmente nada dá certo de primeira. Sendo assim, esse é um trabalho de muita paciência, que exige repetição e adaptação para assim chegar ao ponto ideal, que é quando todos os times estão vivendo este novo pensamento no seu dia-a-dia. 

Por fim, o último aprendizado que a Karol deixou para a gente foi não transformar o Flight Level em status report no PPT. Esteja interessado, faça alinhamentos semanais ou quinzenais para saber como está andando, para saber se a estratégia mudou ou se está indo para o caminho certo. Registre tudo num boarding, por exemplo, independente do nível daquilo que está sendo registrado. Não queira saber apenas o que estava sendo executado sem colocar a mão na massa. Esteja interessado e faça acontecer! 

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