Inspired: how to create tech products customers love - Resumo em Português - Parte 2

Este conteúdo foi escrito por Letícia Rezende, aluna da PM3 e também Product Manager na Zup Innovation. Essa é a segunda parte do resumo do livro Inspired, muito famoso na área de Produto, do autor do Marty Cagan. 

Nesse texto vamos ao resumo da Parte II do livro. Nele fala-se dos times de produto e suas responsabilidades. Então, se você quer entender melhor o monte de nomes que escuta por aí, como Product Manager, Product Designer, CTO, CPO, esse texto vai te ajudar, e muito.

Não está entendendo o que é a Parte 2? Então provavelmente você não leu a Parte 1, na qual Marty fala sobre conceitos essenciais de empresas de produtos, para saber mais é só clicar aqui

Preparados? Então vamos lá!

Parte 2 - As Pessoas Certas

Tudo começa pelas pessoas que fazem parte do time multifuncional de produto e elas são fator fundamental no sucesso ou fracasso da iniciativa. Esse time nada mais é que um grupo de pessoas com diferentes especialidades e responsabilidades, que sentem um verdadeiro sentimento de dono por um produto ou parte deles.

Um time de produto deve ser composto por missionários e não mercenários, ou seja, por pessoas que realmente acreditam na visão e estão comprometidas em resolver o problema dos usuários. Para que isso aconteça, o time deve ter objetivos claros e um problema de negócio que eles tem autonomia para testar formas de resolvê-lo. 

Nesse time devemos ter, no mínimo, um product manager, um grupo de engenheiros, e um product designer (a não ser que o produto não tenha experiência voltada ao usuário), estando sempre atentos a não ter um time muito grande, de preferência respeitando a regra de que você não deve precisar de mais de duas pizzas para alimentar todo o time.

No time, produto, design e engenharia são pares, não havendo hierarquia, e cada especialidade responde para um gestor funcional, ou seja, um head de produto, design ou engenharia, mas todos com um objetivo comum.

De preferência o time trabalha todo lado a lado, isso comprovadamente melhora as relações entre eles e aumenta a performance. Além disso, o time é responsável pelo produto (ou parte dele) de ponta a ponta.

Criar um time de produtos eficiente não é nada fácil, portanto é importante que o time seja o mais estável e durável possível, preservando não só o relacionamento de confiança entre o time, mas também dando possibilidade para o time entender a fundo sobre o problema, usuário e objetivos de negócio.

Product Manager 

Começaremos pelo final do capítulo para destacar que Product Manager e Product Owner não são sinônimos. Product Owner é um papel dentro de algumas metodologias ágeis, e é a pessoa responsável pelo backlog do produto. Aqui vale lembrar o Agile pode ser usado por empresas que não são de produto. 

Quando se trata de empresas de produto, é importante que o Product Manager também exerça o papel de Product Owner, para garantir que o time estará integrado e que o backlog será condizente com as descobertas que estarão sendo feitas, mas as responsabilidades do PM vai muito além do que gerir o backlog, e é isso que vamos ver agora. 

Um PM é responsável por avaliar oportunidades e determinar o que deve ser construído e entregue aos consumidores, essas oportunidades que geralmente compõem o backlog. Mas antes de incluir algo no backlog o PM deve levantar evidências de que os itens do backlog realmente valem a pena serem construídos, sendo a pessoa a ser cobrada pelo sucesso do produto. 

Para que o produto seja um sucesso, tudo depende do usuário comprar ou escolher usar o produto e é responsabilidade do PM entender a fundo o usuário, o cliente, o consumidor, entendendo suas dores, seus problemas, desejos, como pensam. É esse conhecimento que vai determinar várias decisões do dia a dia, e evitar que determinações sejam feitas na base do palpite. Esse conhecimento é adquirido através de aprendizado qualitativo e quantitativo, que vão ser falarmos mais a frente. 

É papel do PM, entender os dados gerados pelas iniciativas do time, usando deles para entender melhor sobre o usuário/cliente e seu comportamento. Deve também entender a fundo o negócio e como ele funciona, ou seja, conhece os stakeholders e seus objetivos, representando todos eles, estando comprometido a entregar soluções condizentes com esses objetivos.

O PM também deve ter ou adquirir grande conhecimento do mercado ou indústria em que está competindo, entendendo os competidores, as tendências, padrões de comportamento do usuário e expectativas. Devemos estar sempre criando soluções para onde o mercado estará amanhã e não para onde eles esteve ontem.

O Product Manager dever ser alguém intelectualmente curioso, que aprende rápido, criativo, persistente e disposto a usar de tecnologia para resolver problemas dos clientes. Além disso, é importante que se esforce para fazer pelo menos um curso básico de programação (HTML e CSS não contam), para entender melhor sobre o trabalho de engenharia, e também entender um pouco sobre finanças e KPI’s. 

Um PM em uma nova iniciativa leva em média dois ou três meses para se atualizar nos tópicos acima.

Product Designer

O Product Designer (PD), junto com o PM, é responsável pelo Discovery, estando orientado ao cliente e o valor que o produto deve gerar para ele, mas também entende que o produto deve funcionar para o negócio e incorpora isso no seu trabalho. 

O Designer é responsável pela experiência do usuário (conhecida como UX) e essa responsabilidade é muito maior do que só design de interfaces (UI). O UX se relaciona a toda e qualquer forma que o usuário pode ou deve perceber o benefício gerado pelo produto e isso inclui todo tipo de ponto de contato e interação do cliente com a empresa e produto. Para exemplificar, alguns desses pontos de contato são, como o usuário fica sabendo do produto, como clientes recebem um serviço offline, como criamos momentos de gratificação, como motivamos o cliente a engajar mais vezes no dia com o produto. 

O PD também é responsável pela criação dos protótipos e por estar constantemente pensando e executando testes com usuários e clientes reais, com o objetivo de avaliar os benefícios percebidos pelo usuário, assim como para testar se o cliente tem alguma dificuldade em usar ou entender o produto. 

Por fim, também é responsável pelo design visual e pelo design das interações (além de várias outras coisas que vamos aprofundar em um texto sobre outro livro).

Os Engenheiros (desenvolvedores/programadores)

Assim como os Product Designers, os engenheiros são pares do Product Manager e parte extremamente importante no processo de inovação do time de produtos. São os responsáveis pela construção do produto em si, mas também devem estar extensamente envolvidos no processo de product discovery, tendo abertura para sugerir soluções e debater ideias. 

Existem várias especialidades na engenharia, como front-end, back-end, data, machine learning, dentre outros, e também existe, como em todas as profissões, uma linha de evolução de carreira, uma delas sendo a carreira de liderança dentro do time de desenvolvimento, chegando a um papel que chamamos de Tech Lead.

O Tech Lead é uma peça importante no time de produto, visto que, além de trazer o conhecimento técnico e compartilhar com o restante do time, também tem a função de ajudar o Product Manager e o Product Designer a descobrir uma boa solução, casando a parte técnica. A verdade é que nem todo engenheiro quer participar de atividades de discovery, e tudo bem, mas é importante que pelo menos um dos engenheiros tenha esse interesse.

Product Marketing Manager 

O Product Marketing Manager geralmente não é dedicado a um time de produto apenas, mas em empresas modernas esse papel é crítico em representar o mercado, trazendo insights para o time de produto, e trabalhando nos planos de go-to-marketing para entregar o produto ao mercado, no posicionamento e na mensagem que vamos passar aos clientes.

User Researcher

Os user researchers não estão presentes em todas as empresas ou times, mas são pessoas especializadas em pesquisas qualitativas (algumas em pesquisas quantitativas também) e tem o papel de ajudar os times a entender melhor os usuários e determinar os testes, através de pesquisa com usuários. 

Analistas de Dados

Ajudam os times a coletar e organizar o tipo certo de dados, garantindo a privacidade e analisando e interpretando os dados. Assim como os user researchers, nem toda as empresas possuem pessoas dedicadas nesse papel, ou, caso tenham, não estão focadas em ajudar nas áreas de produto. 

Engenheiros de Testes Automatizados

São engenheiros especializados em automatizar testes para o produto, garantindo a qualidade do produto. Nem sempre temos pessoas específicas para esse papel, mas caso não tenhamos é preciso que o time de engenharia seja responsável por garantir a qualidade do que está sendo entregue ao mercado, e garantir que tem confiança no que estão liberando.

O papel da liderança

O papel da liderança é essencial em empresas em fase de crescimento que já possuem mais de um ou dois times de produto, e é função delas garantir que existe uma visão holística e consistente do produto entre os vários times. 

Head de Produto 

Também conhecido como VP de produto, diretor de produto, Chief Product Officer (CPO). Esse papel tem grande importância dentro das empresas de produto e, essencialmente, são responsáveis pelas seguintes atividades.

A primeira, de desenvolver o time de product managers e designers e isso envolve, recrutamento, treinamento, e coaching do time. Além disso, também é o responsável pela visão e estratégia do produto, que é fator essencial para inspirar e orientar os times diantes dos altos e baixos.

O Head de Produto também é responsável por garantir que as coisas sejam feitas, afinal não adianta ter um grande visão se você não consegue colocar o produto no mercado. Sendo assim, esse deve ser especialista em planejamento de produto, discovery e processo de desenvolvimento. 

No mais, também é responsável pela cultura de produto na empresa, uma na qual os times entendam a importância de aprender e testar de forma rápida e continua. Uma cultura na qual todos entendam que é preciso cometer erros para acelerar o aprendizado e na qual a inovação é contínua. 

Group Product Manager

Esse é um papel hibrido, no qual a pessoa é PM de um time, mas também desempenha o papel de um gerente de pessoas para outros PM’s. É um papel intermediário entre CPO e PM.

Vale dizer que na carreira de PM, assim como em outras, existem as linhas de liderança, na qual você passa a liderar outros PM’s, mas também a linha de especialista, que leva a um papel chamado de PM Principal. 

Head de Tecnologia 

Ou também VP de Tecnologia ou CTO, é a pessoa comprometida em impulsionar a adoção de tecnologia de forma estratégica na empresa, sendo ela parte fundamental na expansão de negócios e produtos. 

Suas principais responsabilidades são: liderar os times, desenvolvendo pessoas e equipes, bem como representar a área de tecnologia nas decisões estratégicas da empresa. 

Além, deve garantir que a empresa consegue entregar produtos de qualidade no mercado de forma rápida, confiável e repetidamente. Também estimulando o time de engenharia a participar ativamente de atividades de discovery. 

Mais ainda, é a pessoa responsável por garantir que a arquitetura técnica da empresa é capaz de suportar ciclos de entrega contínua, bem como que é confiável e escalável. 

Por fim, também deve ser a pessoa que fala pelos times de engenharia, não só dentro da empresa, mas também nas comunidades de desenvolvimento, parceiros e clientes, evangelizando sobre a importância do uso de tecnologia.

Delivery Manager

Esse papel geralmente presente em empresas já em fase de escala, tem a responsabilidade de remover obstáculos e impedimentos para garantir que o time consiga continuar trabalhando com eficiência. 

Princípios para estruturação de times de produto

Mas é claro que a medida que a empresa e o produto vão evoluindo, os times de produto também vão crescendo e é preciso determinar bem qual o escopo de cada um, de forma a minimizar as dependências preservando a autonomia. 

Isso tem sido feito quebrando os times por fluxos, jornadas de usuário, personas, arquitetura técnica, dentre outras, dependendo do que funciona mais para o contexto.

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E chegamos ao fim do resumo da Parte 2 do livro “Inspired: how to create tech products customers love”, com uma visão geral sobre vários dos papéis presentes nos times de produto. E olha que não é pouca coisa. Lembrando que temos a Parte 1 também.

Espero que tenham gostado e aproveitem para conferir a Parte 3, que vai falar sobre “O Produto Certo”!

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