Processos Seletivos de Produto  -  01. Em busca do emprego ideal

Por Raphael Farinazzo.

A área de gestão de produtos digitais está em grande crescimento, evidenciado pelo surgimento de eventos gigantes sobre o tema, como a Product Camp, ou cursos como PM3 e Product Arena, além de dezenas de workshops, meetups e afins.

É cada vez mais comum ver pessoas querendo migrar ou evoluir na carreira de Produto, considerando a alta demanda por esses profissionais.

Resultado: está cheio de vaga de PM por aí.

Como Group Product Manager na Involves, sou também responsável pela contratação de PMs, e para a última vaga que abrimos, recebemos mais de 100 aplicações — o que tornou o processo praticamente um vestibular para Medicina!

Quando eu participava da avaliação dos processos seletivos da Resultados Digitais, não era muito diferente. Por isso, em conversas com o Gustavo Mendes, com quem tive a honra de trabalhar por algum tempo na RD, surgiu a ideia de produzir uma série de artigos para ajudar essas pessoas com processos seletivos de gestão de produtos.

Ao compartilhar esses conhecimentos, a ideia é cumprir 2 objetivos:

  1. Auxiliar as pessoas a encontrar empregos que satisfaçam suas necessidades pessoais e de carreira.
  2. Auxiliar as empresas a melhorarem seus processos seletivos para preencher suas vagas com profissionais capacitados

É claro que nada do que vai aqui é uma verdade absoluta. A ideia é apenas compartilhar a experiência que formei entrevistando candidatos, participando de processos e conversando com outras pessoas da área. Leia e assimile o que achar útil.

Nesta série, a ideia é sobre:

  1. Em busca do emprego ideal
  2. Encontre e seja encontrado
  3. Avaliação de comportamento e fit cultural — RH ou time
  4. Avaliação técnica — entrevistas ou cases

* Não faço ideia de quando vou conseguir terminar os próximos, mas vou atualizando a lista com os links.


Em busca do emprego ideal

Talvez a etapa mais importante da busca por uma boa vaga de Produto seja exatamente a primeira: perguntar-se o que é uma boa vaga de produto.

Por mais que esse conceito seja subjetivo, existem algumas dicas para torná-lo um pouco mais objetivo:

  1. Não existe apenas uma vaga legal no mercado.
  2. As vagas mais legais são as mais legais para você.
  3. As vagas mais legais são as mais legais para você neste momento.

Se tivéssemos que definir de maneira bem simplificada o que é um bom emprego, acabaríamos resumindo em alguma expressão como: “tenho aqui as coisas que valorizo e que extraem o melhor do meu potencial”.

Isso significa que você e a empresa valorizam as mesmas coisas. De verdade. Não apenas no discurso ou em um quadro na parede. Rotina ou caos; crescimento ou estabilidade; competitividade ou colaboração. Seja como for, aquilo que você valoriza, você tem no dia a dia.

E se algo não vai bem, é claro que você tem a responsabilidade de lutar para melhorar as condições do lugar. Ou desistir e procurar outro emprego. Ambas são estratégias válidas. Às vezes a gente luta por causas perdidas. Às vezes desiste cedo demais.

Então, autoconhecimento é essencial!

Se você valoriza ter desafios o tempo todo, precisa de um lugar que consiga prover isso. Se você valoriza estabilidade e permanência no longo prazo, idem.

Na Pcamp 2018, o Éfrem Filho trouxe uma visão muito bacana sobre o tema, que eu resumiria (talvez excessivamente) assim:

 

Existem dezenas de artigos na internet sobre “os X tipos de Product Managers” e cada um tenta encaixotar os diferentes perfis profissionais de PMs.

No geral, é possível simplificar em apenas um eixo: em uma ponta, PMs empreendedores, que gostam de “quebrar” coisas, propor soluções nas quais ninguém havia pensado; na outra, PMs executivos, que para evoluir o produto precisam ser capazes de negociar e mobilizar muitos stakeholders (internos e externos) quase em um nível de gestão de relacionamentos e comunidade.

Sejam quais forem seus critérios de “tipos de PMs”, essa parte pré-processo seletivo é muito importante.

É importante pontuar isso porque a maioria dos artigos de People falam sobre a importância de desafios constantes, oportunidade de crescimento, tours of duty etc. Mas na prática, isso funciona apenas para pessoas que valorizam essas coisas.

Não há nada de errado em querer um pouco de estabilidade por um tempo. Talvez seu filho tenha acabado de nascer. Talvez você esteja se recuperando de uma experiência empreendedora que te deixou com muitas dívidas para quitar.

Sorte nossa (do mundo todo!) que pessoas são diferentes e valorizam coisas diferentes. Com boa dose de autoconhecimento, não é difícil funcionários e empresas “se encontrarem”.


Mas vamos ser mais específicos em relação à Gestão de Produtos…

Algumas coisas são bem comuns na rotina de Gerentes de Produto. Falei em outro artigo sobre “as decepções mais comuns” e eu recomendo que você se prepare para elas.

Comece conhecendo a empresa

Existem algumas táticas mais óbvias para conhecer as empresas que têm vaga de PM.

A primeira delas é dar uma boa olhada no site. (Desculpe a obviedade!)

Quais os produtos da empresa

Se você não usou nenhum deles ainda, procure fazer um trial, se for possível. Na maioria dos casos, não é. Procure no YouTube algum vídeo de demonstração do produto. Ou veja se existem artigos a respeito. A própria Central de Ajuda, se estiver aberta, pode ser um bom ativo.

Se houver uma demonstração com algum vendedor, vai de você fazer ou não.

Um pouco de empatia: essas pessoas têm meta de vendas e tempo apertado. Se você chegar na demo dizendo que só quer trabalhar lá, não vai ser muito legal. Então, pode se privar de fazer a demonstração, porque uma empresa que não tem trial dificilmente vai cobrar que você conheça o produto no processo seletivo.

Porém vai ser um grande diferencial se você souber…

…em que mercado(s) a empresa está.

Não importa que você (ainda) não conheça nada desse mercado. Mas é importante saber identificar qual é, porque você vai ter que pesquisar sobre ele.

Se você não sabe nada a respeito, comece pesquisando perguntas simples no Google ou Quora: “como funciona um cartão de crédito”, “o que é trade marketing”, “como é trabalhar no mercado imobiliário”. Parte considerável desses conhecimentos estará em inglês. É fundamental dominar o idioma.

A partir das perguntas simples, navegue na internet! :)

O que você quer é entender como funciona o mercado, como cada entidade gera receita, quem são as principais empresas disso aqui e lá fora, e por aí vai.

Entenda como as coisas funcionam. É a melhor dica que você vai encontrar nesta série de artigos.

Fale com funcionários (e ex-funcionários!)

Sites como LoveMondays e Glassdoor são úteis, mas saiba filtrar o que vai ali. Lembre-se que nem todo mundo valoriza as mesmas coisas, então alguns feedbacks podem não se aplicar a você.

Além disso, tem muita gente que sai da empresa com certo ressentimento e precisa externalizar isso. Então, saiba filtrar.

Um pouco diferente disso é você procurar realmente conversar com pessoas que já saíram da empresa. Conversar é melhor que ler review de sites, porque você pode fazer perguntas mais direcionadas ao seu contexto e ao que você valoriza e as pessoas podem se sentir mais à vontade para falar pessoalmente do que em sites de reviews.

Eu já desisti de um processo seletivo na metade, porque conversei com duas pessoas que haviam saído da empresa. Uma levantou vários pontos negativos que a incomodavam na época. A outra falou que era uma empresa fantástica, mas mencionou os mesmos pontos negativos, porém sem lhes dar muita importância.

Independente do peso que cada pessoa deu aos pontos negativos, deu para ver que eles eram reais, e como eles eram importantes para mim, acabei desistindo.

Não é fácil encontrar ex-funcionários que confiem em você a ponto de dar respostas precisas e úteis à sua investigação. A dica é pesquisar amigos em comum no LinkedIn e ver se alguém pode te apresentar e garantir que você seja confiável. Se não der, paciência.

Dê uma olhada nos concorrentes

Também gosto de procurar concorrentes. Antigamente, olhava mais no AlternativeTo, mas para produtos iniciantes ou desconhecidos, vai ser difícil achar alternativas.

Você também pode procurar por “alternative to [nome do produto]” no Google ou escrever “[nome do produto] vs” e ver o que vem no Autocomplete.

Veja se existem artigos ou vídeos comparativos, para você entender o que o mercado está falando a respeito do produto e se isso te motiva a ir para lá.

E claro, explore o site dos concorrentes como você explorou o site da empresa.

Se for uma startup…

…dê uma olhada no Crunchbase e no AngelList.

Ali vão algumas informações interessantes, como os founders (pesquise sobre eles!), as rodadas de investimento etc.

Se a empresa se identifica como startup, provavelmente vai valorizar ter uma página nessas listas.

Conheça também mais sobre a vaga

Quase toda vaga vai ter uma lista de responsabilidades ou do que a empresa espera que você entregue caso venha a trabalhar lá.

Eu sempre uso essa lista para entender se o papel de PM é:

  • Mais operacional ou estratégico
  • Focado em experimentações, testes e hipóteses
  • Inovador ou executivo
  • Próximo do time de desenvolvimento
  • Reconhecido dentro da empresa
  • Algo novo ou já consolidado (ver o quão específicas estão as descrições de responsabilidade)

Conclusão

Faça sua lição de casa. É melhor escolher bem as vagas nessa fase do que se candidatar para tudo e acabar passando em uma vaga que não é para o seu perfil — sim, a empresa pode falhar em identificar isso e acabar contratando você.

É claro que, na dúvida, candidate-se. Não deixe de participar de um processo só porque talvez ele não seja para você. Ignore apenas aqueles que certamente não vão te deixar feliz, não vão oferecer aquilo que você busca neste momento para a sua carreira.

O bom é que, depois dessas reflexões e pesquisas, você chega em melhor situação às entrevistas.

Só por favor, por favor!, não aplique para uma vaga sem ter a menor ideia do que a empresa faz.

 

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Bônus: perguntas de aplicação

Algumas vagas têm formulários simples, com algumas questões como “por que você gostaria de trabalhar aqui” ou “o que temos a ganhar contratando você”.

Geralmente essas perguntas eliminam apenas pessoas muito desalinhadas ao que a empresa quer. Se você pesquisou bem a empresa, a vaga e seu momento profissional, vai ser fácil conectar tudo isso para dar boas respostas.

Lembre-se: ninguém dá boas respostas sem nunca ter pensado nelas.

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