Marcell Almeida

Marcell Almeida

11 minutos de leitura

A PM3 surgiu em 2018, mas não lançamos um curso do nada. Fizemos um grande esforço para executar as melhores práticas de Produto e validar a nossa proposta de valor, de uma maneira que conseguíssemos ter um modelo de negócio escalável e saudável

Resolvi fazer uma série de 3 artigos para contar um pouco como foi essa jornada, mostrando vários detalhes dos bastidores de empreender e aplicar as boas práticas de gestão de produto. Espero que ajude qualquer Product Manager ou aspirantes a empreendedorismo.

1. Necessidade é oportunidade

Ainda em 2017 estava acontecendo a segunda edição do Product Camp, que estava sendo sediado na Nubank. Naquela edição, +350 pessoas participaram e +2.000 ficaram na lista de espera. Isso porque a gente ainda transmitiu o evento online para milhares de pessoas. 

Naquela época já existiam alguns cursos de Produto, mas praticamente todos eram presenciais e em São Paulo. Alguns duravam meses, enquanto outros tinham durações de um workshop de final de semana. Independente disso, era evidente que quem não morasse em um eixo próximo de São Paulo teria dificuldade em adquirir conhecimentos na área de Produto. Ou seja, estariam limitados a buscar no Google (algo que também ainda era bem incipiente no Brasil).

Foi justamente no Product Camp que notamos uma necessidade das pessoas em aprofundar o conhecimento em Gestão de Produtos. Se havia tanta gente no evento, lista de espera e também alguns cursos aparecendo, era sinal de que havia uma demanda de pessoas que não estavam sendo 100% atendidas.

Nesse momento surgiu a hipótese: “E se lançarmos uma escola que capacita e eleva a barra do conhecimento em Gestão de Produto no Brasil inteiro?”

Claro que junto dela saíram várias dúvidas como:

  • Será que as pessoas comprariam por um curso online? Nessa época isso ainda não era tão comum pro nosso nicho de Produto;
  • Quanto será que elas pagariam? Eu mesmo falava que não sei se pagaria por um curso online. Hábitos demoram a mudar, né?)
  • Qual será a profundidade que deveríamos ter?

E várias outras. 

Fato é: precisávamos validar ou invalidar essas e várias outras hipóteses.

2. Modelo de negócio e premissas para montar a empresa

Com as premissas e hipóteses levantadas, decidimos fazer o feijão com arroz e colocar tudo em um Lean Canvas. Abaixo temos a imagem dele, apenas com algumas coisas retraídas. 

exemplo de canvas de proposta de valor

Com o Canvas da proposta de valor em mãos, nós tínhamos visibilidade do que precisávamos fazer para validar cada etapa dele (bem como a metodologia nos ensina). Mas era muita coisa para validar e queríamos ser rápidos.

Então decidimos fazer a coisa mais simples possível: desenhar uma ementa, subir em uma landing page com um valor e ver quantas pessoas pagariam (nem instrutores estariam disponíveis ainda, somente os 3 fundadores da empresa). Infelizmente eu não tenho um print dessa primeira LP, que também não está disponível no Internet Archive. Mas basicamente as informações eram assim:

  • A ementa do curso é essa (precisávamos mostrar o produto);
  • Quem tá fazendo somos nós 3 (precisava ter algum social proof e a melhor que tínhamos na época era nossa própria imagem, considerando carreira e networking com a comunidade brasileira de produto);
  • O preço;
  • E um recado mais ou menos assim: “Não sabemos se haverá interesse para esse curso. Se não houver, não se preocupe, vamos reembolsar todos e cancelar as gravações”.

Prezamos pela máxima honestidade e isso é um valor da empresa até hoje (“fazemos o que é certo”). O fato é que a página estava horrível e quem visitasse tinha mais incentivo para não comprar do que qualquer outra coisa. Se tivesse gente comprando, já era um ótimo sinal de que estávamos no caminho certo.

E, para minha surpresa, muita gente comprou nessa pré-venda.

Tirando a ideia do papel com pouco investimento

Nós não tínhamos muito dinheiro para investir na época. Juntando os 3 sócios, o que tínhamos disponível era R$ 55 mil. Sim, esse foi o montante para tirar a PM3 do chão

Conforme nós íamos vendendo os cursos, usávamos o valor gerado para pagar instrutores e fornecedores de audiovisual, bem como ferramentas internas. Foi um movimento curioso que aconteceu, pois conforme a gente conseguia mais instrutores, mais autoridade a gente trazia para essa nova marca que estávamos criando. E o que íamos fazendo era simplesmente postar, a cada gravação, qual era o novo instrutor junto a alguns spoilers do curso (algo bem banalizado hoje em dia, mas na época não víamos ninguém fazendo).

Nós não tínhamos a pretensão de virar uma escola, ou melhor, um hub como somos hoje. A ideia, até então, era simplesmente “espalhar a palavra” de gestão de produto pelo Brasil.

3. Para quem era o curso na época

Na época, sendo honesto, o curso era focado em nós mesmos e nossos colegas. Nós tínhamos dores e sabíamos onde queríamos nos aprofundar. Basicamente aquela velha máxima, que diz que “as melhores empresas surgem de dores dos fundadores”, né?
Acho que por causa disso, os conteúdos acabaram sendo mais aprofundados do que a média dos cursos. Isso foi muito legal, porque acabamos acertando em cheio: o produto era ideal para o público-alvo que estávamos querendo naquele momento de validação. Os early adopters eram pessoas que já tinham experiência na área de Produto.

validação da proposta de valor com curva de adoção

Mesmo assim, com uma certa tração inicial, a gente ficava com a clássica pergunta: atingimos Product Market Fit ou não? Para isso, já em 2018, aplicamos a pesquisa de Market Fit popularizada pelo Sean Ellis, guiada pela clássica pergunta: “Como você se sentiria se não pudesse mais usar a PM3?”

validação de proposta de valor com Sean Ellis Survey

Confesso que eu não esperava ver tudo isso, ainda mais em um produto que eu ainda considerava inacabado. A nossa comunidade interna não era tão boa quanto hoje, ainda não tínhamos atividades ao vivo, cases práticos e muito menos uma didática tão boa quanto hoje. Era verdadeiramente um “MVP do qual você tem vergonha”. Portanto, eu só conseguia pensar: “como +98% ficariam desapontados e 73% ficariam MUITO desapontados?”

Achei incrível que as pessoas tenham gostado. E gostaram principalmente da profundidade dos conteúdos.

Mesmo assim ficamos na dúvida: como poderíamos ter mais certeza que cruzamos o abismo? Será que essa pesquisa foi suficiente? Não estávamos convencidos.

Entra a ideia de um segundo curso.

Cruzando o abismo

Apesar de termos tido um resultado bem interessante na pesquisa de Market Fit, ainda não acreditávamos ter cruzado o abismo. Pensando nisso a gente começou a se questionar: como será que conseguimos aumentar nossa confiança?

Algumas coisas que pairavam na nossa cabeça era:

  • Para expandir precisamos de um segundo curso?
  • Saberemos fazer e lançar um segundo curso?
  • As pessoas comprariam um segundo curso?
  • Vamos saber explicar a diferença entre eles?
  • Vai ter público para um segundo curso?

E aqui nós, basicamente, repetimos a fórmula de validação. Subimos uma landing page com ementa e validamos o interesse do público antes de sequer investir dinheiro no produto. A recepção foi boa e aí a gente resolveu avançar na produção de um segundo curso.

Porém, a diferença é que, nesse segundo curso, profissionalizamos várias etapas do nosso processo de gravação e didática. A essa altura já tínhamos 2 anos de empresa rodando com apenas um curso e milhares de feedbacks. Já sabíamos como gravar cursos e lidar com uma didática superior a do primeiro curso.

  • Primeiro passo: elevar a barra na qualidade audiovisual;
  • Segundo passo: aulas mais dinâmicas, com didática melhorada em relação ao primeiro curso;
  • Terceiro passo: na edição, fatiar melhor as aulas para que seja mais fluido assistir o curso.

Isso tudo já colocou nosso produto em outro nível, mas ainda longe do quão bom é hoje. Na época, em 2020, foi o melhor que conseguimos fazer. É até legal ver essa evolução (vou contar mais disso no próximo artigo da série). 

Após o lançamento desse curso, notamos que de fato havíamos cruzado o abismo. Foi em um período que a gente começou a fazer mídia paga também (até então 100% das nossas tinham sido orgânicas).

representação da validação da proposta de valor da PM3 com curva de adoção

Nesse momento, baseado na tração do segundo curso e na pesquisa de Market Fit, ficou mais claro que havíamos cruzado o abismo que estávamos só no comecinho do “early majority“. Como você já deve ter visto, não há uma ciência exata disso, mas foi apenas após o segundo curso que consideramos todo o nosso conceito realmente validado. 

Nós aprendemos tanto nessa jornada de 5 anos que inclusive relançamos o Curso de Product Management com uma didática melhor, desafios práticos para os alunos resolverem, mentorias em grupo, atividades ao vivo e várias outras melhorias! E hoje todos os cursos seguem esse padrão.

Conclusão

Realmente espero que esse texto mostre – para qualquer pessoa de Produto ou empreendedora – o que é possível fazer ao aplicar as boas práticas de Produto durante o processo de validação de proposta de valor. É óbvio que existem diversas outras abordagens, algumas mais lentas e outras possivelmente mais rápidas. Mas cada uma delas vai ter um tradeoff entre velocidade x qualidade. 

Olhando para trás, eu não sei se mudaria as etapas que passamos pela PM3, pois isso nos tornou uma empresa que preza muito pela qualidade versus velocidade, e isso acabou ficando enraizado em nossa cultura e é um diferencial até hoje. 

Estude com a PM3

Em comemoração aos nossos 5 anos, todos os cursos da PM3 estão com 20% de desconto (30% para os combos). O curso de Product Management, por exemplo, sai por apenas R$ 2399 ou 12x de 199. Tudo para alavancar a sua carreira e construirmos juntos os próximos 5 anos. Visite o nosso site e saiba mais!

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