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12 de abril de 2021

MVP: o que é e como construir um Produto Mínimo Viável

Hoje vamos falar de uma técnica que entrega muito valor aos nossos times. É um conceito que normalmente sofre algumas confusões. Eu mesma até há um ano atrás tinha uma concepção bem distorcida sobre o MVP – (do inglês, Minimum Viable Product), traduzindo ao pé da letra, Produto Mínimo Viável.

Acredito até que o próprio nome gere essa confusão, a sensação é de que estamos nos comprometendo em entregar uma parte “mínima viável do produto” para que o cliente tenha benefícios antes de ter o produto final construído. Se você pensa assim, continue aqui comigo, vamos entender a diferença de um Produto Mínimo Viável e de um Produto Mínimo Imaginável.

O que é MVP?

Trata-se de um experimento que nos ajuda a descobrir se existe mercado para o produto ou funcionalidade que estamos idealizando e se esse produto de fato resolve problemas reais de clientes. Dando ênfase para o termo descobrir, o MVP deve ser realizado ainda na fase de descoberta, quando o produto ainda não está de fato sendo construído.

Segundo um estudo feito pela  CB Insights em 2019, 42% das startups falham porque trabalham na construção de produtos que não são necessários. Caso o seu produto seja um desses, o conceito de MPV ameniza os desperdícios. Quanto mais cedo for aplicado, e você descobrir que deve mudar o rumo, maior é a economia.

A pesquisa mencionada é focada em startups, mas isso ocorre diariamente dentro de empresas maduras também. Você já parou para pensar o quanto a sua empresa desperdiça de tempo e dinheiro com produtos ou até mesmo funcionalidades que não geram nenhum ou muito pouco valor aos clientes e posteriormente não são utilizadas? Pois é, esse risco poderia ser mitigado grande parte das vezes com aplicação de um MVP. Além de ser um enorme problema para a saúde financeira da empresa, o desperdício gera grande desmotivação aos times de produto, que trabalham incessantemente sem perceber o impacto do seu trabalho.

Bora mudar essa realidade e começar um MVP para o próximo item do roadmap?

O que se espera de um MVP?

Aprender sobre o mercado, sobre o problema e sobre o cliente. O primordial é verificar se o mercado tem demanda, se o cliente está disposto a adquirir o produto idealizado e se é viável seguir com o plano. Caso a ideia de produto não tenha a aderência que se esperava é preciso pivotar e em alguns casos abandonar a ideia.

Seguindo com o plano

Sem dúvida que o melhor cenário é quando seus palpites estão corretos. A hipótese de valor se confirma e você já tem a certeza de que deve seguir com o plano. Toda a interação que os clientes tiveram com seu “mini-produto”, além de servir para validar hipóteses, deve ajudar a melhorar o seu produto para a próxima iteração.

Por meio de conversas e muita observação o cliente deixa transparecer os erros e acertos da sua proposta inicial e você tem a oportunidade de ajustar seu produto que ficará muito mais aderente.

Pivotar

Mas na maioria das vezes o tiro não é certeiro e o MVP pode te salvar de gastar tempo e dinheiro com um produto que não tem futuro. Quando percebemos que estamos seguindo no caminho errado, e isso se dá quando as suas hipóteses não são confirmadas, é hora de pivotar. Isso não significa que você vai desistir do negócio. Mas que vai mudar bruscamente a direção do seu produto, e isso pode ocorrer em diferentes aspectos: 

  • Funcionalidades: uma funcionalidade pode se tornar o produto inteiro, ou o contrário, quando uma funcionalidade se torna parte de um escopo maior;
  • Segmentos de clientes;
  • Modelo de negócios;
  • Canais de venda.

Quais são as principais características de um MVP?

  • Tem valor suficiente para que as pessoas comecem a utilizá-lo
  • Demonstra benefícios suficientes para reter usuários iniciais
  • Fornece um ciclo de feedback para orientar o desenvolvimento futuro

Esta técnica de desenvolvimento assume que os usuários iniciais podem visualizar o produto final a partir do MVP, e que o produto deixa abertura a receber comentários e sugestões a ajudar no desenvolvimento de versões futuras.

Se meu MVP entregar valor ao cliente e ele ficar feliz em utilizá-lo até sair a versão final?

Isso é sinal de que você poderia ter feito algo mais simples, que tivesse economizado mais tempo do seu time. Veja bem, se o produto está em produção e pronto para uso, mesmo que estejamos falando de uma parte bem pequena (poucas funcionalidades), o seu time investiu muitas horas de trabalho: 

  • Definição de regras de negócio, validações;
  • Criação de um design (mesmo que simples);
  • Mensagens e comportamentos de interação com o usuário;
  • Arquitetura;
  • Codificação;
  • Testes;
  • Automatização de testes;
  • Correção de bugs de desenvolvimento.

E o grande problema é que você ainda não tem certeza se existe mercado para o seu produto, logo mesmo que seja uma pequena parte do produto, caso seu produto não seja necessário, todo esse esforço foi desperdiçado.

Como construir um MVP?

Então eu tive uma ideia de produto, estudei de forma superficial o mercado, concorrentes, conversei com algumas pessoas que acharam a ideia promissora. E agora, que passos devo seguir para criar um MPV? De forma geral a receita do bolo não é difícil, consiste em: 

  1. Se já existe a IDEIA inicial é hora de colocar a mão na massa e CONSTRUIR algo muito simples. Nesse momento o grande segredo é saber conter o perfeccionismo. É preciso focar em construir o básico apenas para conseguir validar suas hipóteses;
  1. Agora você possui uma versão bem sucinta do que supõe ser o produto ideal, você tem de fato CÓDIGO rodando, mas está longe de ter um produto pronto para colocar no mercado. É importante deixar seus clientes cientes disso e não gerar expectativas que não serão atendidas neste momento. Comece então a MEDIR o comportamento dos clientes frente a seu produto, definindo métricas que vão trazer as respostas que você precisa sobre a direção que deve seguir;
  1. Por meio dos DADOS extraídos do uso da sua primeira versão, é possível ter uma primeira impressão em relação ao seu produto e começar a perceber se ele entrega valor aos seus clientes. Além disso é nesse momento que conseguimos identificar características do produto que podem ser melhoradas. Por meio de conversas e feedback dos seus clientes você consegue APRENDER mais sobre eles e suas necessidades.


“A lição do MVP é: qualquer trabalho que não seja essencial para dar partida na aprendizagem é um desperdício, por mais importante que possa parecer a princípio.”

(Ries, Eric. A startup enxuta)

Essa foi a teoria mostrando os passos para construir nosso MVP, mas e a prática? Trago aqui as formas mais comuns de implementar um MVP, e alguns exemplos reais para ilustrar.

Tipos de MPV e exemplos 

MVP fumaça

Do termo “onde há fumaça, há fogo” é um tipo de MVP que não possui a característica de entregar valor aos usuários e serve para avaliar o interesse dos potenciais clientes no produto que você está vislumbrando. Isso pode ser feito através de vídeos ou de uma landing page, por exemplo.

Vídeo: produzir um vídeo demonstrando o funcionamento do seu produto e oferecer alguma vantagem aos early adopters, em conjunto pode ser disponibilizado um formulário de inscrição ou outro canal de contato para facilitar a aderência.

Exemplo: Dropbox

Antes de construir o seu sistema de compartilhamento de arquivos na nuvem, a empresa produziu um vídeo explicando sua ideia, oferecendo prioridade de uso a todos que quisessem testá-lo. Eles receberam mais de 75 mil e-mails de usuários interessados.

Landing Page

Disponibilizar uma página oferecendo o seu produto (antes mesmo de ele estar pronto), demonstrando funcionalidades e benefícios acompanhada de um canal para captar clientes interessados: formulário de contato, chat, atalho para WhatsApp. A taxa de conversão (relação entre o número de pessoas que acessaram a página e o número de pessoas que fizeram contato), mostrará se os clientes têm interesse no seu produto.

Exemplo: PM3

Hoje no menu de cursos da PM3 estão disponíveis 4 itens: 3 cursos que já estão em andamento (Growth, Product Discovery e Product Management) e 1 curso que está sendo desenvolvido de “Product Marketing”. Com a landing page é possível analisar métricas e identificar quantos alunos demonstram interesse pelo curso mesmo sabendo que será disponibilizado somente “Em breve”.

Concierge

Você atende uma necessidade de usuário manualmente, sem desenvolver o produto em si, mas simulando o uso do produto que você vislumbra. Para isso você utilizará ferramentas de comunicação como e-mail, WhatsApp, etc

Exemplo: Airbnb

Os fundadores que moravam no mesmo apartamento e estavam sem dinheiro, colocaram um anúncio num site comum de classificados para alugar quartos do seu próprio apartamento que ficava numa região de São Francisco onde haviam muitas conferências

Mágico de Oz

Você também atende uma necessidade de forma manual, porém aqui o usuário não percebe que o atendimento é manual. Normalmente é disponibilizada pelo menos a interface visual do produto, que simula o produto final, mas é uma simples página onde o cliente vai iniciar a comunicação para se beneficiar do serviço e por trás você estará operando de forma manual.

Exemplo: Easy taxi

O MVP foi concebido antes de surgir Uber ou outros aplicativos de táxi. Foi desenvolvida apenas a interface da plataforma, onde o usuário solicitava um táxi. Nesse momento os próprios sócios recebiam um e-mail e entravam em contato com a cooperativa de táxi por telefone para enviar um táxi ao solicitante. Desta forma antes de implementar a parte mais complexa do sistema eles puderam validar se havia demanda para o produto.

Se você quer ir mais a fundo nos conceitos recomendo que leia o livro de Eric Ries, “Lean Startup” ou “A Startup Enxuta” (existe tradução para português), essa foi uma grande fonte de esclarecimentos para mim.

Além disso, no curso de Product Discovery da PM3 você vai ver exemplos reais de grandes empresas que trabalham com experimentos diariamente. O mundo é dos espertos. Use a criatividade e pense numa forma mais barata e rápida de testar aquela ideia que você arquiteta há tempos!


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Autoria de:

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