21 de julho de 2022

Product-driven: como começar essa cultura na sua empresa

Uma cultura product-driven traz como base a resolução de problemas sempre através da possível antecipação e da investigação desses problemas. Só assim conseguimos subir o nível do que será construído e criar soluções e produtos de alto impacto. 

Muitos já ouviram falar na metáfora entre cavalos mais rápidos e a criação dos carros (se você perguntasse para os usuários daquela época o que eles gostariam, eles diriam cavalos mais rápidos e não carros). Isso é até uma ótima verdade para levarmos à frente. O ponto que precisamos desmistificar é qual o caminho que iremos percorrer na descoberta dos carros, até deixarmos claro que os carros poderão entregar mais valor do que cavalos mais rápidos. 

Por isso, acredito que faz sentido começarmos partindo de pressupostos claros e alinhamento de expectativas. A seguir, vamos entender melhor o que é uma cultura product-driven e o que você deve considerar para colocá-la em prática.

O que é product-driven?

Ser product-driven como estratégia e cultura só funciona se a empresa e o time de Produto já tiver como base ser customer centric. 

Para deixar mais claro, uma cultura de produto só funciona se a liderança da empresa e o time de Produto entenderem a importância de criar um produto focado, em primeiro lugar, em gerar valor e boa experiência para seu usuário específico.

Porque, caso isso não aconteça e a priorização esteja sendo baseada na decisão de meia dúzia de indivíduos em salas de reunião, seu produto está sendo construído à imagem deles.  Podemos dizer que, nesse caso, estamos falando de uma cultura de produto baseada em ego. O famoso “produto pelo produto”. Começa ali e termina ali mesmo. 

Além disso, existem empresas que não estão habituadas à uma cultura rica de produtos, mas que já são customer centric. Ou seja, tendem a sempre resolver os problemas e encontrar soluções que não consideram Produto na jogada. É aí que mora o perigo e o grande desafio. 

É muito interessante e espero que em algum momento você esteja em um ambiente que não só valorize com paciência e credibilidade a boa execução do seu trabalho em Produto, assim como incentive também o crescimento da área.

Roadmaps robustos, stakeholders interessados, times propositivos, OKRs definidos, lançamentos pautados em estimativas de produto, descobertas trazidas pelos times de Design, Research, Produto e por aí vai. 

Tive o prazer de trabalhar e me desenvolver em empresas que tinham esse mindset (importante dizer que nem sempre com todos esses artefatos em dia. Afinal, nada nunca é perfeito e, na área de Produto, o jogo de cintura é sempre a soft skill mais importante).

Como criar um cultura product-driven 

Mas, é claro, nem todas as empresas são assim. E elas têm muitas razões para não ser, dado o cenário em que as áreas de Produto e Tecnologia se encontram muitas vezes, com situações como:

  • Metodologias e processos falhos, usados como forma de criar desculpas pela não entrega;
  • Pouco conhecimento do time e do produto;
  • Times que não conseguem entender a fundo as dores do usuário;
  • Áreas de “front” que precisam encontrar diversas soluções paliativas dadas as não entregas;
  • Pouco conhecimento da necessidade de pessoas especializadas nisso e
  • Acrescente aqui nessa lista tudo o que você provavelmente vive ou já viveu. 

Então, o que fazer se você acabou de migrar para uma empresa que enfrenta dores como essa? Como resolver e ser corresponsável por criar uma cultura que tem o produto como direcionador principal?

Aqui vale dividir o processo em 4 partes, para facilitar:

1. Não se perca nessa mudança 

Para começar a pensar em product-driven, tenha uma visão clara de onde você está partindo. Tire essa visão com base: 

  • Na sua auto-análise do cenário que existe;
  • No que você ouve do seu time (principalmente se você estiver numa posição de liderança);
  • No que você escuta dos seus stakeholders (principalmente seus pares ou superiores. Porque são eles que, muitas vezes, estão descredibilizados);
  • Em resumo, compreenda e aceite a realidade como ela é. Seu desafio vai ser entender como é a cara da cultura de produto da sua organização;
  • Lembrar que a cultura começa com pessoas e acaba em produto (e não o inverso)
  • Saiba aonde quer chegar como time e como estratégia. Para isso, o seu background de produto e product discovery deve bastar:
  • Defina de forma clara qual o objetivo final de cada um desses tópicos;
  • Defina então, qual plano você vai traçar para chegar até esse objetivo;
  • Evite o erro de deixar só na sua mente esse plano. De fato coloque no papel, no Miro ou qualquer ferramenta que faça sentido. 
  • Compartilhe com quem você sentir ser necessário com o intuito de dar contexto sobre por onde seu processo vai caminhar. E isso, me leva ao ponto dois. 

2. É seu papel ganhar a credibilidade que outrora foi perdida

Mantenha-se 100% alinhado aos times e stakeholders

  • Em todos os níveis necessários: operacional, tático e estratégico. 
  • Compartilhe o andamento do seu plano;
  • Compartilhe o roadmap dos seus times;
  • Compartilhe a estratégia de produto usada;
  • Tenha noção clara de quais são as vitórias conquistas e também compartilhe. A celebração também deve ser feita em conjunto. 

Lembre-se que o básico deve ser bem feito todos os dias. Todos devem entender a estratégia product-driven e se comprometer com ela.

Não adianta criarmos planos mirabolantes sobre como conquistar o mundo através de um produto se o nosso usuário segue com a dor mais básica que o seu produto poderia oferecer. Parece óbvio, mas não é.

Esse ponto é essencial para que os seus stakeholders comecem a ganhar confiança no que está sendo feito. A empresa precisa ter visibilidade de que todos estão se preocupando que o básico está sendo feito com excelência. Sem isso, a cultura de demanda de negócio -> produto -> tecnologia nunca vai acabar. Se a gente não se responsabilizar pelo básico, alguém vai ter que se responsabilizar. 

3. Tudo começa com você e com a sua área!

É óbvio, mas muitas vezes tendemos a cair numa lógica de “quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?” e esquecemos que essa mudança só vai começar se for do interno para o externo. Por isso, seja propositivo e cobre isso do seu time. Traga dados e conheça seu usuário como ninguém.

Além disso, entenda de que forma você pode fazer mudanças organizacionais inteligentes no seu time para conseguir conquistar o que precisa. Se a sua empresa ainda não tem uma cultura product-driven, naturalmente tendem a investir menos em pessoas para a área. 

Com isso, o time sobrecarregado que só apaga incêndio não faz Discovery, não tem ócio criativo e nem consegue se concentrar o necessário para olhar para frente e de forma inovadora. 

O modelo Spotify é lindo. Mas você sabe qual é o tamanho do time de Produto e Tecnologia deles? Respeite o momento da sua empresa e não tenha medo de pensar fora do que todos estão fazendo. Só você sabe a realidade do seu time. O que importa é resolver o problema de não conseguir focar no que deveria. 

4. Respira, paciência e tá tudo bem! 

A única coisa que você precisa para tudo isso, é um time fechado com você (sejam os seus pares ou os seus liderados PMs) e que esteja disposto a aprender. 

E o mais importante de tudo, o resultado tem que vir. Porque você não tem muitas cartas para gastar sem resultado. 

Faço questão de trazer esse como o último e talvez o ponto mais importante. Mudar uma cultura não é fácil e requer atenção, resiliência e cuidado. Para você chegar onde quer, mesmo com todos esses passos acima, muitas vezes vai ter que precisar de datas assertivas, de top-downs entregues, de stakeholders demandando, demissões e insatisfações. Por isso, compartilhar os seus planejamentos é tão importante. 

É quando você ganha cartas para jogar o jogo, e aí, entenda e confie no seu planejamento e processo. 

Conclusão

De forma simples, busque a visão que você precisa do presente e do futuro da área, saiba alinhar expectativas e dar visibilidade de tudo que está sendo descoberto e feito, compartilhe com as pessoas de fato o que é viável de ser feito e o mais importante, cumpra com o que se comprometeu.

Não é de hoje que falamos que uma carreira em produtos é quase sempre mais sobre soft skills do que sobre hard skills. O processo de inserir uma cultura product-driven não poderia ser diferente. O processo é necessário para o sucesso. 

Para finalizar, lembre-se de incluir um pouco de diversão nesse processo, fazendo questão de aprender acima de qualquer outra expectativa criada ou métrica de sucesso batida. 

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