VSM: o que é mapeamento de fluxo de valor e como fazer?
Equipe de conteúdo - PM3

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VSM é a sigla para Value Stream Mapping, ou em português, mapeamento de fluxo de valor. Esse framework auxilia no mapeamento de fluxo de valor de um processo produtivo, identificando gargalos e desperdícios, e analisando o que agrega ou não valor ao produto ou serviço durante todas as etapas de desenvolvimento.

Continue lendo e entenda melhor o que é VSM, como surgiu esse método, seus benefícios e como fazer o mapeamento de fluxo de valor na prática.

O que é VSM (mapeamento de fluxo de valor)?

Value stream mapping ou VSM significa mapeamento de fluxo de valor e é uma ferramenta usada para aprimorar processos nas etapas de desenvolvimento de um produto ou serviço. O VSM possibilita uma visão holística de um processo produtivo, desde o início até a entrega ao usuário final.

Por causa desta visualização completa, o mapeamento de fluxo de valor auxilia na:

  • Identificação de desperdícios em cada etapa do processo;
  • Criação de estratégias para otimizar recursos;
  • Otimização de investimentos financeiros e de tempo;
  • Qualidade e eficiência dos processos;
  • Entrega de valor do produto.

Assim, através do VSM, é possível separar o que agrega valor ao fluxo e o que deve ser descartado do processo, com a finalidade de reduzir ao máximo os desperdícios e aumentar a eficiência do processo de desenvolvimento do produto como um todo. 

Esse processo é iterativo e contínuo e deve ser revisitado com frequência, com o objetivo de aprimorar cada vez mais o fluxo de valor de um processo produtivo.

Como surgiu o VSM?

O mapeamento do fluxo de valor surgiu a partir da filosofia Lean Manufacturing, que em termos simples, é um framework de gestão que tem como foco criar o máximo de valor para usuário com o menor índice de desperdício possível.

Por sua vez, a gestão Lean originou-se no período após a Segunda Guerra Mundial, com a Toyota protagonizando uma revolução na indústria de manufatura e fabricação e propondo esse processo de gestão produtiva.

Hoje o VSM pode ser aplicado em diversas indústrias, incluindo o desenvolvimento de produtos digitais.

Tipos de desperdício que o VSM ajuda a evitar

A gestão Lean apresenta sete tipos de desperdício que podem ser evitados dentro de um processo produtivo. Em um framework de VSM, esses desperdícios também podem ser prevenidos, agregando ainda mais valor no mapeamento de fluxo de valor. 

São eles:

  • Superprodução: refere-se à produção excessiva, quando ainda nem se sabe se será necessário ou não produzir.
  • Tempo de espera: são os atrasos, retrabalhos e tudo que possa prejudicar a eficiência das operações.
  • Transporte: são os investimentos desnecessários em movimentações no processo produtivo.
  • Excesso de processamento: é o excesso nos esforços de desenvolvimento, onde se investe tempo e recursos em funcionalidades ou soluções que não tem valor percebido pelo usuário final.
  • Inventário: são itens, funcionalidades, recursos e materiais que estão já prontos mas aguardam uma ação e podem atrapalhar os processos.
  • Movimento: representam mudanças de foco frequentes e desnecessárias na linha de produção.
  • Defeitos: problemas e erros no produto que necessitam de revisão e retrabalho.

Importância e benefícios do Value Stream Mapping

O VSM é muito importante em um processo produtivo, uma vez que ajuda a analisar e identificar as melhores oportunidades de otimização do processo de criação de um produto, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência do processo.

Essa ferramenta consegue medir o fluxo de valor do processo desde sua concepção até a entrega ao cliente final. Assim, o mapeamento do fluxo de valor pode aprimorar significativamente as etapas de desenvolvimento de um produto digital.

Alguns benefícios do VSM são:

Garante a visualização holística do processo produtivo

Uma das grandes vantagens do VSM é a possibilidade de visualizar, de forma integral, o processo produtivo. Isso otimiza os fluxos de trabalho e proporciona uma eficiência em todas as etapas do processo, uma vez que tudo é mapeado do começo ao fim.

Identifica gargalos

Outro benefício do mapeamento do fluxo de valor é a possibilidade de identificar gargalos no processo e destacar o que não agrega valor ao fluxo, para então, pensar em estratégias para aumentar a eficiência dos processos.

Um exemplo no contexto de produtos digitais, é a possibilidade de detectar quais features não agregam tanto valor ao usuário, despriorizando-as no backlog

Reduz desperdícios

No processo produtivo, a partir da identificação dos desperdícios, é possível pensar em estratégias para reduzi-los focando na eficiência dos processos em cada etapa do desenvolvimento do produto ou serviço.

Usando o exemplo anterior, uma ação possível seria analisar quais features do produto devem ser priorizadas e podem agregar mais valor para o usuário final, redirecionando os recursos e o tempo investido para o que realmente importa.

Otimiza tempo e recursos e melhoria na tomada de decisão

O VSM possibilita o mapeamento do estado atual do processo produtivo, assim como, o estado futuro, que será o resultado final.

Esse mapeamento faz com que seja possível otimizar recursos, esforços e tempo, garantindo uma maior eficiência em toda a cadeia produtiva e orientando decisões mais assertivas por parte dos gestores.

Como fazer o mapeamento de fluxo de valor?

Para começar a aplicar o mapeamento de fluxo de valor em um processo produtivo, deve-se considerar algumas etapas como:

Definição do escopo do Value Stream Mapping

A definição do escopo e dos objetivos do VSM é a primeira etapa desse processo. É nela que serão definidos os grupos de produtos a serem mapeados ou os limites do mapeamento de valor dentro do contexto do produto.

Ou seja, é o momento de definir se com o VSM pretende-se lançar uma nova funcionalidade, identificar alguma necessidade ou aumentar a eficiência do tempo dos ciclos.

Assim, esse momento é crucial para coletar dados do processo e avaliar fatores como:

  • Tempo de espera;
  • Tempo de ciclo;
  • Materiais;
  • Informações sobre o fluxo, entre outros.

Mapeamento do estado atual do processo

Outra etapa essencial do VSM é o mapeamento do estado atual do processo. Esse estado refere-se ao contexto efetivo em que o processo de mapeamento começou.

Essa etapa serve como base para avaliar o VSM ao final do processo e entender os resultados gerados a partir do mapeamento do fluxo de valor.

Aqui deve-se analisar como, neste momento, encontra-se o produto sendo mapeado, quais são os processos adotados, os recursos utilizados e todas as demais informações relevantes para entender a linha de produção atual.

Essas informações facilitarão a estruturação do processo produtivo até o momento e as análises futuras após a conclusão do VSM. 

Identificação dos gargalos e desperdícios

Uma vez que você tem as informações necessárias sobre o processo atual do fluxo de valor, será possível identificar os gargalos e desperdícios desse processo.

Determiná-los é essencial para entender o que pode ser melhorado no mapeamento de fluxo de valor.

Nessa etapa, é importante fazer questionamentos como:

  • Que recursos podem ser melhor aproveitados?
  • Quais são os tempos de espera e os tempos dos ciclos?
  • Quais funcionalidades são pouco utilizadas?
  • Há custos excessivos?
  • Quais são os gargalos na comunicação do time?
  • Que demandas apresentam atrasos ou retrabalhos?

Além disso, pode-se usar a classificação de desperdícios da gestão Lean mencionada anteriormente, para categorizar os tipos de desperdícios identificados nesse processo.

Mapeamento do estado futuro do processo

Uma vez que você mapeou o estado atual e identificou os desperdícios e o que atrapalha o processo produtivo, será possível criar um mapeamento do estado futuro do processo, destacando como o fluxo de valor deve funcionar.

Esse mapeamento será essencial para criar um plano de ação funcional e efetivo para aprimorar o fluxo de valor de um produto.

Criação e execução de um plano de ação

O mapeamento do estado futuro é uma excelente base para criar um plano de ação para aprimorar o fluxo de valor de um produto.

Isso acontece porque ele reúne as informações identificadas nas etapas precedentes (mapeamento do estado atual e identificação de gargalos) e estabelece o cenário ideal onde o processo produtivo evita desperdícios e apresenta maior eficiência.

Assim, nessa etapa é necessário desenvolver um plano de melhorias, com estratégias, tarefas e ações bem definidas.

Além disso, é o momento de definir prazos para essas implementações e designar quem serão os responsáveis por implementá-las. Em outras palavras, é a hora de planejar e colocar a mão na massa para criar um fluxo de valor otimizado para o produto.

Monitoramento e ajustes

O VSM não termina com a execução do plano de ação. Esse é um processo contínuo que requer monitoramento constante e iterações quando for preciso. 

Assim, é importante acompanhar as métricas definidas, o andamento do plano de ação, e quando necessário, refinar esse processo.

Então, uma vez que você alcançou o mapeamento do estado futuro definido previamente, reavaliar o fluxo de valor é essencial para identificar outras oportunidades de melhorias que possam surgir no caminho e iterar quando necessário.

Conclusão

O VSM ou mapeamento de fluxo de valor é um framework muito útil para identificar o que agrega ou não valor a um processo produtivo e reduzir desperdícios no desenvolvimento de um produto.

O método, derivado da gestão Lean, pode ser aplicado em diversos segmentos e indústrias, incluindo a área de Produto. Essa metodologia ajuda, de maneira estruturada, a encontrar oportunidades de melhoria no fluxo de valor de um produto. Consequentemente, apoia empresas e times na missão de se tornarem cada vez mais ágeis e eficientes em um contexto tão dinâmico.

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