1 de julho de 2022

Migração de carreira: como me tornei Product Owner

Não é de hoje que existe um déficit de profissionais qualificados na área de tecnologia da informação, principalmente quando falamos de squads de desenvolvimento de software. Por isso, de certa forma, tantas pessoas decidem iniciar uma migração de carreira.

Um estudo divulgado em dezembro de 2021 pela Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais) prevê que a demanda por profissionais nas áreas de software, serviços de TI e TI In-House deve chegar a 797 mil vagas nos próximos 3 anos, somente no Brasil. É notório, com isso, que o fato do mundo ter sido surpreendido pela pandemia da Covid-19 contribuiu para que o déficit que já era alto, aumentasse ainda mais rápido.

Incrível o impacto que situações adversas ou não planejadas podem ter sobre nossa vida. No início da pandemia, eu estava me formando no curso de Direito, e tinha prestado a primeira fase do Exame de Ordem para me tornar advogada. Com a implementação dos lockdowns e aumento do isolamento de todos, o Exame de Ordem que eu estava prestando teve diversos adiamentos. A segunda fase, que era para ser em março, só ocorreu em dezembro.

E nesse meio tempo? Bom. Antes de me formar, comecei a me interessar pela área de Direito Digital e Proteção de Dados Pessoais. Foi um passo curto para eu me ver durante a pandemia consumindo cursos livres de tecnologia. Quando dei por mim “já era”, estava totalmente encantada por esse universo de produtos digitais.

Comecei com estudos mais focados em desenvolvimento web, e em seguida descobri o uso de metodologias ágeis. O Scrum é um framework ágil, e dele vem o cargo no qual atuo hoje: Product Owner.

Foi entre os percalços da vida, não podendo atuar como advogada ainda pois estava nesse limpo prestando a OAB, que minha insatisfação com a burocrática e tradicional área do direito cresceu. Foi aí que eu resolvi investir em uma migração de carreira.

Identificação: o que faz uma pessoa de produto?

Ainda não temos uma carreira totalmente singular de nomenclatura de cargos na carreira de Produto. O que vemos hoje no mercado é uma adaptação dos cargos ao que melhor atende os interesses de um negócio.

Normalmente, a carreira de Produto pode começar como Analista, Product Owner ou Associate Product Manager. Dependendo do dia a dia e contexto da empresa para produtos digitais, a linha de atuação entre esses 3 cargos pode ser muito tênue. Isso é o que estou vivenciando hoje.

O cargo de Product Owner nada mais é que uma figura relacionada ao Scrum, como citado mais acima. É a pessoa do time que cuida da priorização da lista de tarefas a serem desenvolvidas, faz gestão de todas as pessoas interessadas e/ou que possam ter influência no produto, participa ativamente dos ciclos de desenvolvimentos e se responsabiliza para que as entregas agreguem valor, etc. Afinal, Product Owner, numa tradução literal, seria algo como “Dono do Produto”. 

Quando iniciei meus estudos no Agile, percebi que o papel do PO fazia muito sentido para mim. Diferente dos papéis mais técnicos de desenvolvimento, tanto o papel de Product Owner, quanto os demais cargos de Produto, demandam mais soft skills relacionadas a comunicação, desenvoltura para resolução de problemas, proatividade e organização. Esse foi um fator importante para que eu optasse pela migração de carreira.

A área de produto está diretamente relacionada ao desenvolvimento do produto, mas não apenas isso, também está muito ligada ao business. É aqui que nós estudamos e cuidamos de todo ciclo de vida de um determinado produto.

Quando falamos no cargo de Product Manager (Gestor de Produto) no contexto de produto digital, é atualmente mais comum associarmos a execução da atividade estratégica relacionada ao produto, enquanto o Product Owner se relacionada mais ao operacional.

Não existe uma fórmula de bolo. É possível encontrar times com PM e APMs, PM e PO, só com PM ou só com PO. Todos os cargos contribuem e atuam sobre o ciclo de vida do produto, e requerem conhecimento aprofundado sobre o mesmo.

Dicas para iniciar a migração de carreira para Produto

Existem diversos caminhos que podem te ajudar a dar esse passo. Aqui eu listei alguns que vejo como boas oportunidades:

Integração via cursos e comunidades

Para quem  vem de fora, o universo de produto pode parecer muito abstrato e distante. É muito recomendado que, depois de identificar ter um fit com a área, buscar um bom curso para aprofundar os conhecimentos, como o Curso de Product Management da PM3.

É comum também que os melhores cursos incluam espaços para troca e integração, compartilhamento de vagas e direcionamento, para saber exatamente quais passos dar na carreira. A Comunidade PM3 é um exemplo disso.

Mentorias

Alguns profissionais e organizações costumam ser abertos para oferecer mentorias para iniciantes. É uma excelente oportunidade para ajudar no direcionamento, em como se desenvolver na carreira. Para isso, vale a pena começar a criar boas conexões na área.

Portfólio, bootcamps e meetups

Tá, mas como conseguir experiência sem ter experiência? Bom, uma boa alternativa é ir criando e praticando através de cases.

As próprias seleções de emprego na área costumam aplicar testes com cases que o(a) candidato(a) deve apresentar, o que é uma ótima forma de ir se aperfeiçoando. Você também pode estudar produtos que gosta ou gostaria de conhecer melhor, gerando cases de gestão de produto sobre eles.

Nesse sentido também é comum encontrar possibilidade de aplicação de conhecimento em meetups e bootcamps direcionados, que ao mesmo tempo servem para conexões! Importante ficar de olho nas comunidades para não perder as oportunidades.

Voluntariado

Foi assim que comecei a realmente vivenciar o dia a dia de produto. Vinha estudando e queria fazer a transição de carreira, então me voluntariei para que pudesse aprender. O match e o crescimento foram tão bons, que acabei recebendo uma oferta de emprego, mas mesmo que não tivesse, foi o suficiente para que eu sentisse o que é trabalhar na área de produtos digitais e tivesse certeza que queria seguir nessa carreira.

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